
Foto: Terra / A Arca do Gosto – Slow Food
Vem a moda do salmão, e todo mundo avança nos salmões. É uma carne muito saborosa, dizem. Eeu não acho muita graça. Tem muito ômega 3, as revistas dizem. Os selvagens, pescados, têm sim, mas os criados em cativeiro, para atender à demanda dessa moda, não têm praticamente nada de O3, porque não fazem esforço para subir correnteza.
Essas comidas da moda sobre-exploram uma espécie e podem até levá-la à beira da extinção. Enquanto isso, pelo motivo inverso, outras espécies vão desaparecendo: o arroz vermelho, o licuri, a castanha de baru, a mangaba. A organização “A Arca do Gosto” trabalha tentando resgatar esses ingredientes maravilhosos que estão ameaçados de extinção, seja por sobre-exploração seja por esquecimento.
Você já reparou que cada vez mais as comidas vão se resumindo a ingredientes comuns ao mundo todo? Trigo, milho, soja, frango e boi acabam sendo a base de grande parte da alimentação mundial. Mas nem sempre foi assim. Cada comunidade nativa criava uma gastronomia própria, baseada naquilo que tinha em sua região. Assim surgiram as culinárias mexicana, japonesa…
Hoje eu faço meu próprio manifesto em favor de uns ingredientes menos “commoditizados”, e que têm sabor muito melhor que o seu equivalente mais conhecido:
- Mel de abelha jataí: descobri esta semana e me apaixonei!! Muito mais perfumado e saboroso que o mel das abelhas africanas e européias. Tem um cheiro que lembra flores brancas, como dama-da-noite e jasmim, e um sabor que parece mais ácido, menos enjoativo, simplesmente indescritível! São abelhas nativas, que não picam (têm o ferrão atrofiado), e não são mais usadas “industrialmente” porque produzem em menor quantidade que suas concorrentes. Dá para criar jataís em casa, e o Dan e eu estamos planejando….hehe

Foto: Neide Rigo
- Limão capeta e limão galego: limões menores, o primeiro alaranjado por fora e por dentro, o segundo menor e amarelinho. São facilmente encontrados na roça, mas quase não se acha nos grandes mercados – não me perguntem por quê. Para mim, eles têm um sabor e aroma maravilhosos, e se adaptam muito melhor aos pratos, chás e limonadas que o famosão limão siciliano (que acho cheiroso, mas não gosto do sabor).
Quando for lembrando de mais coisas, vou postando.
A gente tem que valorizar mais os ingredientes regionais! Os europeus, principalmente franceses, italianos e espanhóis, fazem isso muito bem, e dessa auto-estima e capricho foram criados queijos como o roquefort, a champagne, a linguiça toscana e tantas outras maravilhas que o resto do mundo tenta – só tenta – imitar!
Eu nem preciso falar do maravilhoso queijo canastra aqui de Minas, né? Sem falar das goiabadas cascão, mangada e outras delícias!